O cidadão Brasileiro seja
pedestre, ciclista, motociclista ou até mesmo carroceiro, tem uma dificuldade
atávica no que diz respeito a obedecer à lei. Tudo se passa como se, no Brasil,
não tivéssemos feito a necessária transição entre obedecer a pessoas e à lei, o
que configura coisas muito diversas. Deste modo, a atitude geral e, devemos acentuar
normal de todos os atores do trânsito, é a suposição de que os sinais e as
faixas podem, e devem ser num dado limite e com certo risco, contornadas e
evitadas, o que tem consequências geralmente fatais.
Em qualquer campanha seria preciso indicar com força e precisão o papel da lei como elemento nivelador e não hierarquizante, e o fato de que a lei não existe contra o cidadão a pé ou de bicicleta, mas a seu favor. Sobretudo no trânsito. A dificuldade de lidar com um mundo no qual ninguém sabe ou quer saber quem é o outro, que deve ser sempre superior ou inferior, jamais um igual. O encontro complicado, um dilema brasileiro, de um espaço público construído como igualitário, mas sobre o qual condutores de veículos e pedestres atuam com expectativas hierárquicas. Um palco desenhado para cidadãos que, entretanto, nele atuam como aristocratas. Entre a visão popular, segundo a qual obedecer é sinal de inferioridade, e a visão aristocrática ou de elite, para quem desobedecer é uma rotina que define os superiores e mandões, reside a indecisão e a impunidade como valores fundamentais do sistema.
Em qualquer campanha seria preciso indicar com força e precisão o papel da lei como elemento nivelador e não hierarquizante, e o fato de que a lei não existe contra o cidadão a pé ou de bicicleta, mas a seu favor. Sobretudo no trânsito. A dificuldade de lidar com um mundo no qual ninguém sabe ou quer saber quem é o outro, que deve ser sempre superior ou inferior, jamais um igual. O encontro complicado, um dilema brasileiro, de um espaço público construído como igualitário, mas sobre o qual condutores de veículos e pedestres atuam com expectativas hierárquicas. Um palco desenhado para cidadãos que, entretanto, nele atuam como aristocratas. Entre a visão popular, segundo a qual obedecer é sinal de inferioridade, e a visão aristocrática ou de elite, para quem desobedecer é uma rotina que define os superiores e mandões, reside a indecisão e a impunidade como valores fundamentais do sistema.
No Brasil, dependendo do
sujeito, a lei entra em causa, colapso, suspensão e até mesmo esquecimento. O
vamos ver é a dúvida do resultado final, qual seja: se o sujeito (por seu
capital político ou social – exemplo: Thor batista, filho do bilionário eike
batista, que em alta velocidade matou um ciclista e “não deu em nada”, Edmundo,
que alcoolizado e em alta velocidade, matou 3 e feriu outras 3 pessoas. Foi
condenado, porém não cumpriu sentença –) vai englobar ou subordinar a lei
em sua pessoa ou se vai ocorrer o contrário. Se foi um sujeito comum (isto é,
uma pessoa sem amigos ou relações), temos uma expectativa; se foi um amigo do
presidente da República, falamos o tal vamos ver para logo depois concluir o
mais desanimador e conhecido: não vai dar em nada. Não há brasileiro que
não sabia que, na vida pública nacional, é possível se negar qualquer coisa,
menos um pedido de um amigo.
A solução pela
severidade da lei, a resolução pela punição – rigorosa – dos infratores; o
aumento das penas, a cassação da licença para dirigir etc. Tais fatores são
importantes, mas todos os psicólogos que trabalharam a questão da obediência à
lei verificaram que um dos elementos indispensáveis ao seu cumprimento não é o
código em si, mas a sua aplicabilidade.
O Brasileiro abre a mão da obediência usando o conhecido argumento do se eu não fizer outro vai fazer; ou do se todos fazem, por que eu vou seguir a regra?, com as consequências que todos conhecemos. Além de ser rigoroso e ter regras firmes e multas pesadas, o Estado precisa divulgar as normas e discuti-las com a população para que os usuários as conheçam e assimilem. Isso requer um programa de educação para o trânsito que conscientize os condutores, fazendo com que o motorista seja consciente de suas responsabilidades, mas que também recicle o condutor e o obrigue a voltar ao Detran. Enfim, um programa que aumente o respeito dos motoristas para com os pedestres e que inclua o ensino da educação no trânsito já no nível pré-escolar.
O Brasileiro abre a mão da obediência usando o conhecido argumento do se eu não fizer outro vai fazer; ou do se todos fazem, por que eu vou seguir a regra?, com as consequências que todos conhecemos. Além de ser rigoroso e ter regras firmes e multas pesadas, o Estado precisa divulgar as normas e discuti-las com a população para que os usuários as conheçam e assimilem. Isso requer um programa de educação para o trânsito que conscientize os condutores, fazendo com que o motorista seja consciente de suas responsabilidades, mas que também recicle o condutor e o obrigue a voltar ao Detran. Enfim, um programa que aumente o respeito dos motoristas para com os pedestres e que inclua o ensino da educação no trânsito já no nível pré-escolar.
Referência.
A casa e a rua – Roberto DaMatta
Fé em Deus e pé na tábua – Roberto DaMatta

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